Balão, Sandra Maria Rodrigues (1969-)Nasceu em Lourenço Marques, em Moçambique, em 1969. Fez o ensino secundário em Moura e licenciou-se em Gestão e Administração Pública em 1992, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa. É Mestre em Ciência Política pelo mesmo Instituto.
Leciona desde 1993 na Escola Superior de Tecnologias Militares e Aeronáuticas, da Força Aérea Portuguesa, disciplinas da área das Ciências Sociais e Humanas. Ensinou também no Instituto Superior de Línguas e Administração de Lisboa onde lecionou na área das Ciências Económicas.
Desde Março de 2001 é Assistente no I.S.C.S.P., onde leciona na área das Licenciaturas em Relações Internacionais e Antropologia, bem como no Mestrado em Ciência Política.
Na coletânea de ensaios Elites e Poder, ISCSP, Lisboa, 1997, sob a coordenação de António Marques Bessa, publicou "O Problema da Corrupção em Ostrogorski".
Texto:Libertação do indivíduo
Também por esta razão (embora não só), não nos deverá espantar que a taxa de abstenção tenha verificado uma evolução sempre crescente, registando nas últimas eleições europeias de 1999, valores nunca antes vistos.
8. Tese da libertação do indivíduo
Apesar de toda a questão relativa à emancipação do indivíduo devido aos princípios vencedores da Revolução Francesa de 1789 e à Declaração dos Direitos do Homem, aquele não assumia uma posição particularmente importante e significativa.
Toda a vida pública inglesa, subjacente à existência de uma sociedade tradicional, se caracterizava pela subordinação do indivíduo a essa mesma sociedade. A esfera individual estava permanentemente a ser penalizada em benefício da esfera comunitária. A própria constituição social e política apresentava traços do mesmo espírito.
Individualmente considerado, o Homem dependia de si mesmo. Apenas na medida em que estava envolvido na questão eleitoral, era possível ao indivíduo obter representação no Parlamento: parecia não existirem dúvidas quanto à necessidade de o ato eleitoral ser por eles cumprido. Mas, a dúvida persistia quanto à forma como cada indivíduo iria utilizar o respetivo direito de voto.
Quando o momento-chave chegava, os indivíduos eram desprovidos da sua própria consciência, sendo induzidos a votar por efeito da pressão socialmente exercida e por isso, a individualidade humana foi destruída quando se gerou o conflito de interesses com a comunidade.
De uma forma invisível, mas sempre presente em todas as circunstâncias da vida, a noção de gentleman colocava todos os membros da sociedade sob o jugo de uma lei geral, uniformizadora, sujeitando-os a uma disciplina impiedosa, que não deixava qualquer margem para as suas próprias preferências pessoais. Desde o vestuário até ao credo religioso, todas as "escolhas" eram, na verdade, imposições sociais.
O culto do individual, a apoteose do homem em abstrato, estava, por isso, muito longe de alguma vez ter existido na Inglaterra.
Perante este estado de coisas, Ostrogorski considerava que uma forte aposta na educação das massas - e, em especial, na sua educação política - constituía um meio altamente eficaz para fazer inverter a tendência a que, até aí, se assistia. A ignorância generalizada em que as massas se encontravam mergulhadas constituía um terreno propício para que a manipulação da sua vontade e das suas escolhas se fizesse sem dificuldade. Além disso, a própria opinião pública estava também muito pouco esclarecida, na medida em que a imprensa existente era escassa
e pouco "honesta".
Cota: 0015513FGA3LIV[DEPÓSITO]
BALÃO, Sandra Maria Rodrigues - A fórmula do poder : élite, partidos, democracia e corrupção política no pensamento de Moisei Ostrogorski. Lisboa : Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, 2001. 310 p.. ISBN 972-9229-97-X
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